“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo 10,10)
A vida é um dos maiores dons que recebemos de Deus. Cada pessoa é única, possui uma dignidade que não depende de suas conquistas, de sua situação financeira, de sua saúde, de seus erros ou de suas dificuldades. Aos olhos de Deus, cada vida tem valor.
Durante o mês de setembro, a sociedade é convidada a refletir de maneira especial sobre a valorização da vida e a prevenção do suicídio. Para nós, cristãos, essa reflexão encontra uma dimensão ainda mais profunda: somos chamados a reconhecer em cada ser humano alguém criado à imagem e semelhança de Deus e, por isso, digno de cuidado, respeito e amor.

Deus conhece a nossa história
Existem momentos em que a vida parece pesada demais. Perdas, problemas familiares, dificuldades financeiras, doenças, solidão, frustrações e tantas outras situações podem provocar um sofrimento profundo.
A fé cristã não nos ensina que uma pessoa que sofre deve simplesmente “ter mais fé” ou que basta rezar para que todos os problemas desapareçam. A própria Bíblia apresenta homens e mulheres que passaram por momentos de profunda angústia.
O sofrimento faz parte da experiência humana, mas ninguém deveria enfrentá-lo sozinho.
Deus não se afasta de quem sofre. Ao contrário, a Sagrada Escritura nos recorda:
“O Senhor está perto dos que têm o coração ferido.” (Sl 34,19)
Essa presença de Deus também pode chegar até nós por meio de outras pessoas: um familiar que escuta, um amigo que permanece ao nosso lado, um sacerdote que acolhe, uma comunidade que acompanha ou um profissional preparado para oferecer ajuda.
Valorizar a vida também é cuidar uns dos outros
Quando falamos sobre valorização da vida, não estamos falando apenas de nossa própria vida. Também somos responsáveis por perceber aqueles que estão ao nosso redor.
Às vezes, uma pessoa que sofre não precisa imediatamente de uma resposta. Precisa de alguém disposto a escutá-la.
Uma palavra acolhedora, uma visita, uma ligação, um convite para conversar ou simplesmente a presença de alguém podem fazer diferença para quem atravessa um período difícil.
Por isso, precisamos construir comunidades onde seja possível falar sobre sofrimento sem vergonha e pedir ajuda sem medo de ser julgado.
A Igreja é chamada a ser uma casa onde as pessoas encontrem acolhimento, misericórdia e esperança.
Ninguém deve enfrentar a dor sozinho
É importante compreender que procurar ajuda não demonstra falta de fé. Pelo contrário, reconhecer que precisamos de ajuda pode ser um gesto de coragem e responsabilidade.
A Igreja pode oferecer oração, escuta, acompanhamento espiritual e comunidade. Ao mesmo tempo, situações de sofrimento emocional ou psicológico podem exigir acompanhamento de profissionais e dos serviços de saúde.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento podem procurar serviços como Unidades Básicas de Saúde, CAPS, UPAs, pronto-socorros e hospitais. Em situações de emergência, o SAMU pode ser acionado pelo número 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias.
Um compromisso de todos nós
Valorizar a vida é mais do que participar de uma campanha durante o mês de setembro. É assumir uma atitude permanente de cuidado.
É olhar para o outro com misericórdia.
É aprender a escutar.
É não fazer julgamentos precipitados.
É perceber quando alguém está sofrendo.
É oferecer ajuda.
É acompanhar.
É rezar.
É também saber encaminhar para quem pode oferecer o cuidado necessário.
Que neste mês de setembro possamos renovar nosso compromisso com a vida. Que nossas famílias, comunidades e paróquias sejam lugares onde ninguém tenha vergonha de dizer que está sofrendo e onde ninguém seja deixado sozinho em sua dor.
Que Maria Santíssima, Mãe de Jesus e nossa Mãe, interceda por todos aqueles que enfrentam momentos de sofrimento e conceda às nossas comunidades um coração cada vez mais atento às necessidades dos irmãos.
Toda vida importa. Toda pessoa merece ser acolhida. E ninguém precisa caminhar sozinho.


